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Geopolítica, Recursos Naturais e Impactos Socioeconômicos na Venezuela: Uma Análise Crítica (1999-2026)

janeiro 5, 2026janeiro 6, 2026

 

 

 

Sodré GB Neto

Resumo

Este artigo analisa a trajetória política e econômica da Venezuela desde a ascensão de Hugo Chávez em 1999 até o cenário contemporâneo sob Nicolás Maduro. O estudo foca na redistribuição da renda petrolífera, na redução da pobreza através das Missões Bolivarianas e no impacto devastador das sanções econômicas unilaterais impostas pelos Estados Unidos. Examina-se a hipótese de que a crise humanitária venezuelana é, em grande parte, um produto de estratégias de “punição coletiva” destinadas a promover a mudança de regime. Além disso, discute-se a percepção pública internacional e doméstica sobre a legitimidade do governo venezuelano e as circunstâncias geopolíticas que cercam a exploração de suas vastas reservas de petróleo e ouro.

Resumo Executivo: Geopolítica, Recursos Naturais e a Crise Venezuelana

O artigo “Geopolítica, Recursos Naturais e Impactos Socioeconômicos na Venezuela: Uma Análise Crítica (1999-2026)” examina a trajetória da Venezuela, desde os ganhos sociais da Era Chávez, impulsionados pela redistribuição da renda petrolífera, até o colapso econômico e a crise humanitária sob Maduro. A análise conclui que a crise é o resultado de uma convergência de vulnerabilidades estruturais internas (dependência do petróleo) e uma estratégia geopolítica externa que aproveitou essas fragilidades para promover a mudança de regime.

Três Conclusões Críticas sobre Geopolítica e Recursos Naturais

1. O Petróleo como Arma Geopolítica e Catalisador da Crise

A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo do mundo, tornou-se um alvo de pressão geopolítica intensa. A queda dos preços do petróleo em 2014, impulsionada pelo shale oil dos EUA e pela estratégia da OPEP, expôs a vulnerabilidade da economia venezuelana. Essa vulnerabilidade foi então aproveitada e potencializada pela estratégia geopolítica dos EUA, que utilizou as sanções financeiras e setoriais (a partir de 2017) como um instrumento de asfixia econômica, transformando uma crise fiscal em uma catástrofe humanitária [4] [25] [30].

2. Sanções Unilaterais como “Punição Coletiva”

A intensificação das sanções econômicas, especialmente as impostas a partir de agosto de 2017, é academicamente caracterizada como uma forma de “punição coletiva” [4] [45]. Ao bloquear o acesso da Venezuela a mercados financeiros e impedir a venda de petróleo, as sanções tiveram um impacto direto e devastador na capacidade do país de importar alimentos e medicamentos, resultando em um aumento da mortalidade e no agravamento da pobreza extrema [2] [19]. A crise humanitária é, portanto, um subproduto direto de uma política externa destinada a forçar a mudança de regime [13] [44].

3. Dissociação entre Elite Política e Opinião Pública Americana

Apesar da retórica agressiva de mudança de regime por parte de setores da elite política americana, a opinião pública nos Estados Unidos demonstra uma forte oposição a intervenções militares diretas na Venezuela. Pesquisas de opinião indicam que a maioria dos americanos não apoia ações militares para depor o governo Maduro, sugerindo uma dissociação entre a política externa intervencionista e o sentimento majoritário da população [32] [34]. Essa oposição popular enfraquece a legitimidade de qualquer justificativa para uma intervenção militar sob o pretexto de apoio popular doméstico.

Introdução

A ascensão de Hugo Chávez ao poder em 1999 marcou uma ruptura significativa com o modelo neoliberal predominante na América Latina [51] [52]. Através da Revolução Bolivariana, o governo venezuelano buscou inverter a lógica de distribuição da riqueza nacional, historicamente concentrada em elites locais e interesses estrangeiros [53] [54]. A Venezuela, detentora das maiores reservas de petróleo provadas do mundo, tornou-se o epicentro de uma disputa geopolítica intensa, onde o controle dos recursos naturais se entrelaça com ideologias de soberania nacional e intervenção externa [7] [16].

A Era Chávez: Petróleo e Redução da Pobreza

Durante o governo de Hugo Chávez, a Venezuela experimentou uma transformação social sem precedentes. A política de “semear o petróleo” foi reativada através das Missões Bolivarianas, programas sociais financiados diretamente pela estatal PDVSA [5] [10]. Entre 1998 e 2012, a pobreza extrema na Venezuela caiu de aproximadamente 20% para 11%, enquanto o acesso à saúde e educação foi universalizado para milhões de cidadãos anteriormente marginalizados [4] [8] [28].
Indicador Social
Pré-Chávez (1998)
Auge da Revolução (2012)
Fonte
Pobreza Extrema
~20%
11%
Buxton (2020)
Acesso à Saúde
Limitado
Universal (Barrio Adentro)
Briggs (2009)
Analfabetismo
Significativo
Erradicado (Misión Robinson)
Muhr (2006)
A inversão da distribuição da renda petrolífera — que anteriormente beneficiava majoritariamente corporações americanas e elites locais — foi o pilar dessa mudança [12] [30]. No entanto, essa política gerou forte resistência internacional, culminando em tentativas de desestabilização política [17] [24].

 Análise da Correlação entre a Queda dos Preços do Petróleo e as Sanções Internacionais logo em seguida na Venezuela (2014-2016); uma Análise Crítica: Conspiração Geopolítica, Shale Oil e o Colapso da Venezuela

A questão sobre se a crise venezuelana foi resultado de uma conspiração geopolítica ou de uma coincidência de mercado é central para a compreensão do colapso do país. A análise crítica confronta a visão acadêmica predominante (choque de mercado) com a tese da “guerra econômica” (conspiração política), reforçada por declarações de representantes dos Estados Unidos.

1. A Tese do Choque de Mercado (Coincidência)

A visão majoritária entre analistas de energia e economistas aponta que a queda dos preços do petróleo entre 2014 e 2016 foi um fenômeno de mercado impulsionado por dois fatores principais :
1.Excesso de Oferta Global: O boom do shale oil nos Estados Unidos, viabilizado por avanços tecnológicos, aumentou significativamente a produção global.
2.Estratégia da OPEP: A Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), liderada pela Arábia Saudita, decidiu em novembro de 2014 não cortar a produção. O objetivo era manter a fatia de mercado e inviabilizar economicamente produtores de alto custo, como o próprio shale oil e, indiretamente, a produção venezuelana, que já sofria com a má gestão interna .
Nesta perspectiva, a queda do petróleo foi o fator econômico primário que desmantelou a principal fonte de renda da Venezuela, expondo as fragilidades de sua dependência extrema e da má gestão interna . As sanções iniciais (2014-2016) foram uma resposta política à repressão interna, e não a causa do colapso econômico.

2. A Tese da Conspiração Geopolítica (Estratégia)

A tese da conspiração sugere que o shale oil foi ativamente utilizado como uma arma econômica para desestabilizar governos adversários, e que a crise foi acelerada por uma estratégia deliberada dos EUA . Esta visão é reforçada por declarações de altos funcionários americanos, que ligam a pressão sobre a Venezuela ao interesse em seus recursos e à geopolítica regional.
A declaração do Senador Marco Rubio (imagem fornecida) é um exemplo claro dessa postura:

“Não precisamos do petróleo da Venezuela. Temos petróleo de sobra nos Estados Unidos. O que não vamos permitir é que a indústria petrolífera da Venezuela seja controlada por adversários dos Estados Unidos… Este é o Hemisfério Ocidental, é onde vivemos, e não vamos permitir que se torne uma base de operações para adversários, competidores e rivais.”

 

Declarações de outros oficiais, como o ex-Conselheiro de Segurança Nacional John Bolton, que afirmou que “faria uma grande diferença para os EUA economicamente se pudéssemos ter empresas petrolíferas americanas investindo e produzindo as capacidades de petróleo na Venezuela”, sugerem que o objetivo final da pressão é a mudança de regime para garantir o acesso e o controle das vastas reservas de petróleo venezuelanas .

3. Conclusão: Convergência de Fatores

A análise crítica aponta para uma convergência de fatores que torna a crise venezuelana mais complexa do que uma simples coincidência ou conspiração isolada:
Fator
Natureza
Impacto na Crise (2014-2016)
Queda do Petróleo
Choque de Mercado Global
Gatilho Econômico Primário que causou a perda de receita e o colapso fiscal.
Shale Oil dos EUA
Inovação Tecnológica + Política
Criou o excesso de oferta que derrubou o preço, gerando a vulnerabilidade venezuelana.
Sanções Iniciais (2014-2016)
Resposta Política (Direitos Humanos)
Isolamento Financeiro que impediu a Venezuela de buscar crédito para amortecer o choque.
Sanções Posteriores (Pós-2017)
Estratégia Geopolítica (Setorial)
Asfixia Econômica que impediu a recuperação e aprofundou a crise humanitária, visando a mudança de regime.
A queda dos preços do petróleo foi um evento de mercado que criou a oportunidade. A estratégia geopolítica dos EUA, evidenciada pelas declarações de seus representantes e pela imposição de sanções cada vez mais severas, aproveitou essa vulnerabilidade para acelerar o colapso do regime, transformando uma crise econômica severa em uma catástrofe humanitária e política. Portanto, a crise é o resultado de uma coincidência de mercado que foi aproveitada e potencializada por uma estratégia geopolítica deliberada.

Referências

[1] Bahar, A., & Joo, R. (2016). An analysis of OPEC’s strategic actions, US shale growth… IMF Working Papers. DOI: [10.5089/9781475524161.001](https://doi.org/10.5089/9781475524161.001 ).
[2] Prest, B. C. (2018). Explanations for the 2014 oil price decline: Supply or demand? Energy Economics. DOI: [10.1016/j.eneco.2018.08.010](https://doi.org/10.1016/j.eneco.2018.08.010 ).
[3] Monaldi, F. (2015). The Impact of the Decline in Oil Prices on the Economics, Politics and Oil Industry in Venezuela. Center on Global Energy Policy.
[4] Sodré GB Neto. (2026). Geopolítica, Recursos Naturais e Impactos Socioeconômicos na Venezuela: Uma Análise Crítica (1999-2026). Jornal da Ciência.
[5] Bolton, J. (2019). Declaração à Fox Business.

A crise econômica e humanitária na Venezuela foi o resultado de uma convergência de fatores, sendo a queda abrupta dos preços do petróleo e a imposição de sanções internacionais dois dos mais significativos. A análise da correlação entre esses eventos no período de 2014 a 2016 revela uma dinâmica de
reforço mútuo, onde a crise econômica gerada pelo petróleo serviu de catalisador para a crise política que, por sua vez, atraiu as sanções.

Fatores da Superdependência do Petróleo na Venezuela: Uma Análise Estrutural

A superdependência da Venezuela em relação ao petróleo não é um fenômeno recente, mas o resultado de décadas de escolhas políticas e dinâmicas econômicas conhecidas como a “Maldição dos Recursos Naturais” e a “Doença Holandesa”. Os principais fatores que contribuíram para essa vulnerabilidade são:

1. A “Doença Holandesa” (Dutch Disease)

Este fenômeno ocorre quando a exportação massiva de um recurso natural (petróleo) provoca uma valorização artificial da moeda nacional (o Bolívar). Com a moeda forte, os produtos fabricados internamente e a produção agrícola tornam-se mais caros e menos competitivos no mercado internacional. Simultaneamente, as importações tornam-se extremamente baratas, o que leva ao sucateamento da indústria nacional e da agricultura, pois é mais fácil e barato importar tudo do que produzir internamente [7] [16].

2. O Modelo de “Estado Rentista”

Desde a década de 1930, o Estado venezuelano consolidou-se como o principal receptor da renda petrolífera. Em vez de tributar a produção e o consumo da população, o Estado sobrevive da renda do petróleo. Isso criou uma cultura política onde o governo é visto como um distribuidor de riqueza em vez de um gestor de uma economia produtiva. Esse modelo inibiu o desenvolvimento de um setor privado diversificado e independente do Estado [12] [13].

3. Falha na Diversificação Econômica

Apesar de slogans históricos como “Semear o Petróleo” (Arturo Uslar Pietri, 1936), os sucessivos governos falharam em reinvestir os lucros do petróleo em setores como tecnologia, manufatura e agricultura sustentável. Durante os períodos de preços altos do petróleo (como o boom de 2004-2012), a abundância de recursos reduziu o incentivo político para realizar reformas estruturais difíceis, optando-se pelo aumento do gasto público e do consumo imediato [7] [10].

4. Sobrevalorização Cambial e Subsídios

O uso de taxas de câmbio fixas e sobrevalorizadas, aliado a subsídios massivos (como o da gasolina, a mais barata do mundo), distorceu os preços relativos na economia. Isso incentivou o consumo de bens importados e desencorajou investimentos em setores produtivos de longo prazo, tornando a economia extremamente frágil a qualquer queda nos preços internacionais do petróleo [14] [15].

5. Desmantelamento da Produção Agrícola

Historicamente, a Venezuela era um exportador de café e cacau. Com o boom petrolífero, a mão de obra migrou do campo para as cidades em busca de empregos no setor de serviços e no governo, financiados pelo petróleo. A agricultura foi negligenciada, e o país passou a depender de importações para suprir mais de 70% de suas necessidades alimentares, tornando a segurança alimentar refém da volatilidade do mercado de energia [7].
Fator
Mecanismo de Impacto
Consequência de Longo Prazo
Doença Holandesa
Valorização da moeda
Destruição da indústria e agricultura
Estado Rentista
Dependência da renda externa
Falta de base tributária e produtiva
Preços Altos
Falsa sensação de riqueza
Adiamento de reformas e diversificação
Importação Barata
Facilidade de consumo
Dependência total de divisas externas
Em conclusão, a vulnerabilidade da Venezuela é o resultado de um ciclo vicioso onde a abundância de petróleo atrofiou os outros motores da economia. Quando o preço do petróleo caiu em 2014 e as sanções bloquearam o acesso a divisas em 2017, o país não tinha uma base produtiva interna para sustentar sua população, resultando no colapso socioeconômico observado [27] [37].

Referências

1.Kingsbury, D. V. (2016). Oil’s Colonial Residues: Geopolitics, Identity, and Underdevelopment in Venezuela. Bulletin of Latin American Research. DOI: 10.1111/blar.12477.
2.Mommer, B. (1990). Oil Rent and Rent Capitalism: The Example of Venezuela. Latin American Perspectives. JSTOR: 40241166.
3.Kornblihtt, J. (2015). Oil Rent Appropriation, Capital Accumulation, and Social Expenditure in Venezuela during Chavism. World Review of Political Economy. DOI: 10.13169/worlrevipoliecon.6.1.0058.
4.Gabaldón, A. J. (2013). ENVIRONMENTAL CHALLENGES OF AN OIL. Politeja.
5.Kott, A. (2018). Assessing Whether Oil Dependency in Venezuela Contributes to the Resource Curse. Journal of Student Scholarship.
6.Grier, K., & Grier, R. (2016). The economic consequences of Hugo Chavez: A synthetic control analysis. Journal of Economic Behavior & Organization. DOI: 10.1016/j.jebo.2016.01.002.
7.Antoun, E. (2022). The crisis in Venezuela: a study showing how a wealthy nation collapse. Notre Dame University.

1. Cronologia e Natureza dos Choques

O período em análise é crucial para entender a distinção entre a causa primária do colapso econômico e os fatores que impediram a recuperação.
Período
Preço do Petróleo (Brent)
Sanções Internacionais (EUA)
Impacto Econômico Imediato
2º Semestre 2014
Queda de ~US$ 108 para ~US$ 50
Venezuela Defense of Human Rights Act (Dez/2014) – Sanções individuais
Choque fiscal massivo e perda de receita.
2015
Média de ~US$ 52
Ordem Executiva 13692 (Mar/2015) – Sanções individuais
Contração do PIB em ~10%; início da hiperinflação.
2016
Mínima de ~US$ 27 (Jan)
Manutenção de sanções individuais
Pobreza extrema em ascensão; agravamento da escassez.
A queda dos preços do petróleo foi um choque estrutural de origem global, impulsionado pelo aumento da produção de shale oil nos Estados Unidos e pela decisão estratégica da OPEP de não cortar a produção . Este evento reduziu a receita do governo venezuelano em mais de 70%, expondo a extrema dependência do país e a má gestão da PDVSA.
As sanções internacionais impostas pelos Estados Unidos durante este período (2014-2016) eram predominantemente direcionadas a indivíduos ligados a violações de direitos humanos e corrupção, e não sanções setoriais ou financeiras amplas que bloqueavam o comércio de petróleo . As sanções financeiras e petrolíferas mais severas, que tiveram um impacto direto e devastador na capacidade de exportação da PDVSA, só foram implementadas a partir de agosto de 2017 .

2. A Correlação de Reforço Mútuo

A correlação entre a queda do petróleo e as sanções de 2014-2016 é de natureza política e financeira, e não de causalidade econômica direta:
•Petróleo como Catalisador Político: A drástica redução na receita do petróleo (o “choque estrutural”) levou à incapacidade do governo de financiar programas sociais e importações, gerando escassez e protestos sociais . A repressão a esses protestos foi o motivo direto para a imposição das sanções individuais pelos EUA . Assim, a crise econômica gerada pelo petróleo serviu de gatilho político para as sanções.
•Sanções como Isolante Financeiro: Embora as sanções de 2014-2016 não fossem setoriais, elas criaram um ambiente de risco político e financeiro para a Venezuela. Instituições financeiras internacionais passaram a praticar o que se chama de “over-compliance“, evitando transações com o governo venezuelano por medo de futuras penalidades . Este isolamento financeiro dificultou a capacidade do país de reestruturar sua dívida ou obter novos empréstimos, justamente no momento em que o fluxo de caixa do petróleo havia secado .

A queda dos preços do petróleo (2014-2016) foi o fator econômico primário que iniciou o colapso, ao desmantelar a principal fonte de renda do país. As sanções internacionais impostas no mesmo período acabaram por  sufocar ainda mais a Venezuela. Conpiração ou coincidência?

A correlação reside no fato de que a queda do petróleo criou a vulnerabilidade, e as sanções iniciais agravaram essa vulnerabilidade ao acelerar o isolamento financeiro da Venezuela. O colapso econômico, portanto, não foi causado pelas sanções neste período, mas sim amplificado por elas, tornando a recuperação praticamente impossível mesmo que os preços do petróleo tivessem se estabilizado.

Referências

[1] Bahar, A., & Joo, R. (2016). An analysis of OPEC’s strategic actions, US shale growth… IMF Working Papers. DOI: [10.5089/9781475524161.001](https://doi.org/10.5089/9781475524161.001 ).
[2] Prest, B. C. (2018). Explanations for the 2014 oil price decline: Supply or demand? Energy Economics. DOI: [10.1016/j.eneco.2018.08.010](https://doi.org/10.1016/j.eneco.2018.08.010 ).
[3] U.S. Department of State. (2014). Venezuela Defense of Human Rights and Civil Society Act of 2014.
[4] Oliveros, L. (2020). The Impact of Financial and Oil Sanctions on the Venezuelan Economy. Washington Office on Latin America (WOLA).
[5] Monaldi, F. (2015). The Impact of the Decline in Oil Prices on the Economics, Politics and Oil Industry in Venezuela. Center on Global Energy Policy.
O colapso econômico venezuelano, que levou a um aumento exponencial da pobreza extrema, foi catalisado pela queda abrupta dos preços internacionais do petróleo, expondo as fragilidades estruturais do modelo rentista do país . A Venezuela, altamente dependente da receita petrolífera para financiar importações e programas sociais, viu sua capacidade de sustentar o Estado diminuir drasticamente.
A pobreza extrema, que já era um desafio, saltou de aproximadamente 23,6% em 2014 para níveis que, em anos subsequentes, ultrapassaram 60% da população, refletindo a perda de poder aquisitivo e a escassez de bens básicos . Este cenário foi agravado por políticas econômicas internas, como controles de preços e de câmbio, que geraram hiperinflação e uma escassez severa de alimentos e medicamentos . Esta manobra reacionária das petroleiras americanas foram interpretadas como  má gestão e a corrupção de mais de US$ 1 trilhão em receitas de petróleo ao longo de duas décadas sob os governos de Hugo Chávez e Nicolás Maduro .

2. A Queda Global dos Preços do Petróleo em 2014

A queda dos preços do petróleo, de mais de US$ 100 por barril em meados de 2014 para menos de US$ 30 no início de 2016, é amplamente atribuída a fatores de mercado e decisões estratégicas globais, e não a uma conspiração direta contra a Venezuela .
O principal fator de oferta foi o boom do shale oil (petróleo de xisto) nos Estados Unidos, que inundou o mercado global com um volume significativo de petróleo, criando um excesso de oferta . Em resposta a este novo cenário de mercado, a Organização dos Países Exportadores de Petróleo (OPEP), liderada pela Arábia Saudita, tomou a decisão estratégica em novembro de 2014 de não reduzir a produção . O objetivo desta estratégia era manter a fatia de mercado da OPEP e pressionar a inviabilidade econômica de produtores de alto custo, como o próprio shale oil dos EUA e, indiretamente, a produção venezuelana, que já sofria com a falta de investimento e má gestão . Além disso, o enfraquecimento da demanda global, especialmente devido à desaceleração econômica na China, também contribuiu para a queda dos preços .

3. O Papel das Grandes Petroleiras Prejudicadas por Hugo Chávez

A questão sobre a participação das grandes petroleiras prejudicadas por Hugo Chávez na queda repentina do petróleo em 2014 deve ser analisada sob a ótica da geopolítica do petróleo e dos litígios internacionais, e não de uma manipulação direta dos preços .
A tese da “guerra econômica”, defendida pelo governo de Nicolás Maduro, alega que a queda dos preços foi uma conspiração planejada pelos Estados Unidos para desestabilizar governos adversários, como a Venezuela e a Rússia . Contudo, a análise acadêmica e de mercado aponta que a queda foi um fenômeno de mercado impulsionado pela dinâmica de oferta e demanda (shale oil e OPEP) .
O impacto das petroleiras como a ExxonMobil e a ConocoPhillips, que tiveram seus ativos nacionalizados por Chávez em 2007, manifestou-se principalmente no campo legal e financeiro . Essas empresas buscaram reparação através de tribunais internacionais, como o Centro Internacional para a Resolução de Disputas sobre Investimentos (ICSID). Em 2014, por exemplo, a Venezuela foi condenada a pagar indenizações bilionárias à ExxonMobil . Embora esses litígios tenham exercido uma pressão financeira considerável sobre as já frágeis finanças venezuelanas, especialmente em um momento de queda de receita,  há poucas evidências de que essas empresas tenham orquestrado a queda global dos preços do petróleo, que é um mercado vasto e complexo .
O aumento da pobreza extrema na Venezuela entre 2014 e 2016 foi o resultado da convergência de uma extrema dependência do petróleo com a má gestão econômica interna e um choque externo (a queda dos preços do petróleo) . A queda dos preços foi um evento de mercado e geopolítico, impulsionado pelo shale oil dos EUA e pela estratégia da OPEP . O papel das petroleiras prejudicadas por Chávez foi indireto, manifestando-se através de litígios de arbitragem internacional que drenaram recursos do Estado em um momento de crise fiscal .

Referências

[1] Caraballo-Arias, Y., et al. (2018). Working in Venezuela: How the Crisis has Affected… Annals of Global Health. DOI: [10.29024/aogh.2325](https://doi.org/10.29024/aogh.2325 ). PMID: 30741851. PMC: PMC6634440.
[2] Venezuelan, A. (2019). The devastating Venezuelan crisis. Molecular Biology of the Cell. DOI: [10.1091/mbc.E19-03-0176](https://doi.org/10.1091/mbc.E19-03-0176 ). PMID: 31513451. PMC: PMC6744797.
[3] Nieto-Martínez, R., et al. (2025). Venezuelan Situation 2014-2020: 7 Key Indicators Study. Cureus. DOI: [10.7759/cureus.75514](https://doi.org/10.7759/cureus.75514 ). PMID: 39743821. PMC: PMC12144690.
[4] Aray, H. (2024). A tale of oil production collapse. Resources Policy. DOI: [10.1016/j.resourpol.2024.105214](https://doi.org/10.1016/j.resourpol.2024.105214 ).
[5] Mondal, R. (2023). Venezuela: Escaping the Resource Curse. Journal of Management and Public Policy. DOI: [10.1177/25166042231186352](https://doi.org/10.1177/25166042231186352 ).
[6] Bahar, A., & Joo, R. (2016). An analysis of OPEC’s strategic actions, US shale growth… IMF Working Papers. DOI: [10.5089/9781475524161.001](https://doi.org/10.5089/9781475524161.001 ).
[7] Prest, B. C. (2018). Explanations for the 2014 oil price decline: Supply or demand? Energy Economics. DOI: [10.1016/j.eneco.2018.08.010](https://doi.org/10.1016/j.eneco.2018.08.010 ).
[8] Monaldi, F. (2015). The Impact of the Decline in Oil Prices on the Economics, Politics and Oil Industry in Venezuela. Center on Global Energy Policy.
[9] Garcia Arias, J., et al. (2024). The Demography of Crisis‐Driven Outflows from Venezuela. Population and Development Review. DOI: [10.1111/padr.12651](https://doi.org/10.1111/padr.12651 ).

Sanções Econômicas e Punição Coletiva
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Com a morte de Hugo Chávez em 2013 e a ascensão de Nicolás Maduro, a pressão externa intensificou-se drasticamente. A partir de 2017, os Estados Unidos impuseram uma série de sanções financeiras e comerciais que, segundo diversos estudos acadêmicos, constituem uma forma de “punição coletiva” contra a população venezuelana [31] [45]. Estas sanções bloquearam o acesso da Venezuela a mercados financeiros internacionais e impediram a venda de petróleo, resultando em uma queda catastrófica na receita nacional [21] [22].
O impacto humanitário dessas medidas foi severo. Estima-se que as sanções tenham contribuído para mais de 40.000 mortes evitáveis entre 2017 e 2018, devido à falta de medicamentos e alimentos [11] [19] [44]. A crise de saúde pública, caracterizada pelo ressurgimento de doenças infecciosas e aumento da mortalidade infantil, é frequentemente citada como uma consequência direta da asfixia econômica imposta por Washington [9] [33] [43].
“As sanções econômicas impostas pelos EUA à Venezuela desde 2017 agravaram severamente a crise econômica e humanitária do país, afetando desproporcionalmente os setores mais vulneráveis da sociedade.” [2] [3] [30]

Análise do Impacto das Sanções Americanas na Curva de Pobreza da Venezuela

 

A análise do gráfico cronológico e dos dados acadêmicos revela que o momento exato de maior impacto das sanções americanas na curva de pobreza da Venezuela ocorreu no período entre agosto de 2017 e o final de 2018.
Este período é crucial por dois motivos principais:

1.Início das Sanções Financeiras Abrangentes (Agosto de 2017):

As sanções mais severas e abrangentes foram impostas em agosto de 2017, visando o setor financeiro e a capacidade da Venezuela de negociar novas dívidas e ações [4] [45]. O impacto imediato foi a restrição drástica do acesso do governo venezuelano a financiamento internacional e a dificuldade em reestruturar sua dívida. O artigo de Weisbrot e Sachs (2019) aponta que as sanções de 2017 tiveram um efeito devastador na produção de petróleo, que é a principal fonte de receita do país [45].

2.Pico do Impacto Humanitário e Mortalidade (2018):

O efeito lag (atraso) das sanções financeiras e petrolíferas se manifestou de forma mais aguda nos indicadores sociais e humanitários no ano seguinte. O estudo de Zakrison et al. (2019) e o relatório do CEPR (2019) estimam que as sanções impostas a partir de 2017 foram responsáveis por um aumento na mortalidade e por mais de 40.000 mortes evitáveis entre 2017 e 2018, devido à falta de acesso a medicamentos e alimentos [19] [44].

Correlação com a Curva de Pobreza:
A curva de pobreza na Venezuela, que havia atingido seu ponto mais baixo (11% de pobreza extrema) em 2012 sob Chávez [8], começou a subir acentuadamente após a queda dos preços do petróleo e a crise econômica interna (2014-2016). No entanto, a imposição das sanções financeiras e petrolíferas em 2017 e 2018 atuou como um catalisador externo que acelerou e aprofundou a crise, impedindo o governo de obter os recursos necessários para importar bens essenciais e sustentar os programas sociais (Missões) que antes mantinham a pobreza sob controle [21] [49].
O momento de maior aceleração da curva de pobreza e do colapso dos indicadores de saúde e bem-estar social coincide diretamente com a intensificação das sanções financeiras e petrolíferas entre 2017 e 2018, transformando a crise econômica em uma crise humanitária de grandes proporções [2] [3].
Período
Evento Chave
Impacto na Curva de Pobreza
Fonte
1998-2012
Políticas de Chávez, Alta do Petróleo
Queda drástica (20% para 11%)
Buxton (2020)
2014-2016
Queda do Preço do Petróleo, Crise Interna
Aumento gradual
Grier (2016)
Agosto 2017 – Fim 2018
Sanções Financeiras e Petrolíferas Abrangentes
Aceleração e Aprofundamento da Pobreza/Mortalidade
Weisbrot (2019), Zakrison (2019)
Pós-2019
Sanções Secundárias (PDVSA)
Colapso da Produção de Petróleo, Crise Humanitária Persistente
Aray (2024)
Em suma, o momento exato em que as sanções americanas exerceram o maior impacto na curva de pobreza, transformando a crise econômica em uma catástrofe humanitária, foi o período de 18 meses subsequentes a agosto de 2017, quando as sanções financeiras e petrolíferas mais restritivas entraram em vigor.

Geopolítica e Recursos Naturais

A Venezuela possui a segunda maior reserva de ouro do mundo e as maiores reservas de petróleo, o que a torna um alvo estratégico permanente [15] [23]. A narrativa de “ditadura” aplicada ao governo de Maduro é frequentemente analisada por teóricos críticos como uma ferramenta de demonização necessária para justificar intervenções que visam restaurar o controle ocidental sobre esses recursos [25] [50].
Apesar da pressão diplomática e econômica, a opinião pública nos Estados Unidos mostra-se majoritariamente contrária a intervenções militares diretas. Pesquisas recentes indicam que cerca de 71% dos americanos não apoiam invasões ou ações militares para mudança de regime na Venezuela, refletindo um cansaço com as políticas intervencionistas do passado [32] [34].

A Morte de Hugo Chávez: Perspectivas e Especulações

As circunstâncias da morte de Hugo Chávez em 2013 permanecem um tema de intenso debate político. Embora a causa oficial tenha sido um câncer agressivo, o governo venezuelano e diversos apoiadores levantaram suspeitas de que a doença poderia ter sido induzida externamente [15]. Do ponto de vista científico, a indução de câncer via radiação direcionada ou agentes biológicos é considerada tecnicamente complexa e improvável de ser realizada de forma indetectável, embora a história da Guerra Fria registre diversos experimentos de desestabilização biológica [16]. A falta de acesso a amostras biológicas independentes impede uma conclusão definitiva, mantendo o tema no campo da disputa narrativa e política.

Conclusão

A crise venezuelana não pode ser compreendida sem considerar o papel central das sanções econômicas e da disputa pelos recursos naturais. Enquanto as políticas de Chávez demonstraram que a redistribuição da riqueza petrolífera pode reduzir drasticamente a pobreza, a resposta internacional através da asfixia financeira reverteu muitos desses ganhos, gerando uma crise humanitária de proporções regionais. A estabilidade da Venezuela e o bem-estar de seu povo dependem, fundamentalmente, do fim das medidas coercitivas unilaterais e do respeito à soberania nacional sobre seus recursos estratégicos.

Referências

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5.Page, K. R., et al. (2019). Venezuela’s public health crisis: a regional emergency.
6.Tuite, A. R., et al. (2018). Infectious disease implications of large-scale migration of Venezuelans.
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15.Su, C. W., et al. (2020). A review of resource curse burden on inflation in Venezuela.
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20.Briggs, C. L. (2009). Confronting Health Disparities: Barrio Adentro.
21.Aray, H. (2024). A tale of oil production collapse.
22.Bahar, D., et al. (2019). Impact of the 2017 sanctions on Venezuela.
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24.Absher, S., et al. (2023). The consequences of CIA-sponsored regime change.
25.Gill, T. M. (2020). Two Decades of Imperial Failure: US Regime Change Efforts.
26.Mahmood, Q., et al. (2013). Politics, class actors, and health sector reform.
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45.Weisbrot, M. (2019). Economic Sanctions as Collective Punishment.
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