Semelhança TP53

Qual tp53 destes vertebrados [1] possui tp53 mais semelhante ao canônico [2] destes neandertais[3]

[1] https://www.nature.com/articles/s41419-022-04653-8#:~:text=1:%20Simplified%20evolutionary%20tree%20of%20p53%20family,are%20also%20found%20in%20several%20invertebrate%20lineages.

[2] https://www.ncbi.nlm.nih.gov/nuccore/NM_000546

[3] Kou, S. H., Li, J., Tam, B., Lei, H., Zhao, B., Xiao, F., … & Wang, S. M. (2023). TP53 germline pathogenic variants in modern humans were likely originated during recent human history. NAR cancer, 5(3), zcad025. PMID: 37304756 | DOI: 10.1093/narcan/zcad025

Entre os vertebrados do esquema evolutivo de Zhang et al. 2022, o TP53 mais semelhante ao canônico humano (NM_000546.6) e, por extensão, ao TP53 “canônico” reconstruído em Neandertais de Kou et al. 2023, é o de outros mamíferos placentários, especialmente primatas e grandes mamíferos próximos na árvore de mamíferos eutherianos.nature+3

Justificativa resumida

  • O artigo de Zhang et al. apresenta a árvore simplificada da família p53, mostrando que a forma p53 “típica” vertebrada (sem domínio SAM e com os três cisteínos do DNA‑binding domain, Cys124/Cys135/Cys141) aparece primeiro em peixes ósseos (bony fishes) e é altamente conservada em tetrápodes, com especial conservação na sequência e na estrutura do domínio de ligação ao DNA.[nature]​

  • Estudos filogenéticos da família TP53 em vertebrados (Biscotti et al. 2019) mostram que o TP53 de mamíferos placentários é o mais próximo do humano tanto em sequência de aminoácidos quanto em organização de domínios; primatas formam um clado muito próximo dos humanos, seguidos por outros mamíferos eutherianos (bovinos, suínos, carnívoros etc.).[pubmed.ncbi.nlm.nih]​

  • Kou et al. 2023 demonstram que os TP53 de Neandertais e Denisovanos diferem do humano moderno principalmente por alguns variants germinativos (PVs/BVs) dentro do DNA‑binding domain, mas que, em termos de sequência “canônica”, Neandertais compartilham praticamente o mesmo backbone de TP53 que humanos modernos.ncbi.nlm.nih+1

  • Como TP53 é altamente conservado entre mamíferos, o gene canônico humano/Neandertal alinha‑se com identidades de aminoácidos acima de 90% com TP53 de primatas não‑humanos e de outros mamíferos placentários, enquanto a identidade cai progressivamente em aves, répteis, anfíbios e peixes.pmc.ncbi.nlm.nih+1

Em termos práticos, se a pergunta é: “qual TP53 de vertebrado é mais parecido com o canônico humano/Neandertal?”, a resposta é:

  • Primatas não‑humanos (chimpanzé, gorila, orangotango) – praticamente idênticos ao TP53 humano de referência.ncbi.nlm.nih+2

  • Em seguida, outros mamíferos placentários (por exemplo, roedores, bovinos, suínos, carnívoros), que mantêm forte conservação do domínio de ligação ao DNA e da arquitetura funcional.pubmed.ncbi.nlm.nih+1

Se você quiser, posso montar uma pequena tabela com identidades de aminoácidos do TP53 humano (NM_000546.6) versus um conjunto de vertebrados modelo (camundongo, cão, bovino, galinha, Xenopus, zebrafish), para você ver quais se aproximam mais numericamente da sequência canônica humana/Neandertal.

Segue uma visão sintética, com os números de identidade disponíveis para te dar uma noção comparativa em relação ao TP53 canônico humano/Neandertal.

Identidade de sequência de TP53 humano vs. vertebrados modelo

Tomando TP53 humano canônico (NM_000546.6) – que é praticamente idêntico ao TP53 “core” de Neandertais descrito por Kou et al. 2023 – os dados comparativos de homologia em vertebrados indicam:ncbi.nlm.nih+2

Espécie (vertebrado) Identidade aa total com p53 humano Identidade no DNA‑binding domain (DBD) Comentário
Chimpanzé / grandes primatas ~99% (quase idêntico) [inferido de análises filogenéticas] ~100% ou próximo disso TP53 praticamente idêntico ao humano, diferenças residuais fora do core funcional.pmc.ncbi.nlm.nih+1
Outros mamíferos placentários (camundongo, cão, bovino etc.) >90% (varia por espécie) [estimativas de estudos de p53 family] >90% Conservação muito alta de domínios funcionais, mesma arquitetura de exons e domínios.pmc.ncbi.nlm.nih+1
Galinha (aves) identidade reduzida, mas DBD altamente conservado (valores exatos variam; DBD mais estável que humano) >80% no DBD DBD de galinha mostra maior estabilidade térmica, mas sequência ainda é claramente ortóloga.[nature]​
Xenopus (anfíbio) menor que aves, DBD ainda bem conservado ~70–80% no DBD p53 DBD de Xenopus é menos estável, mas mantém motivos estruturais centrais.[nature]​
Zebrafish (teleósteo) 56% de identidade global (67% “positives”) 72% de identidade no core DBD (79% “positives”) p53 humano complementa função de tp53 de zebrafish in vivo, mostrando forte conservação funcional apesar da identidade moderada.elifesciences+1

Esses valores indicam que:

  • O TP53 mais semelhante ao canônico humano/Neandertal é o de outros primatas e, em seguida, outros mamíferos placentários (eutherianos).pmc.ncbi.nlm.nih+1

  • Mesmo em vertebrados mais distantes (galinha, Xenopus, zebrafish), o domínio de ligação ao DNA – que é o foco dos PVs analisados por Kou et al. – mantém alta conservação, com 70–80% de identidade de aminoácidos.nature+1

Se você quiser algo mais preciso, o próximo passo seria alinhar explicitamente a proteína humana TP53 (NP_000537.3) com TP53 de chimpanzé, camundongo, galinha, Xenopus e zebrafish no BLASTp/Clustal e extrair as identidades numéricas exatas para a sequência completa e para o DBD (aa 102–292).

então se eu extrair um tp53 de um chimpanzé, vou ter 100% de semelhança com tp53 do neandertal ?

Não. O TP53 de chimpanzé é quase idêntico ao humano/Neandertal, mas não 100% idêntico.

Pontos-chave:

  • O TP53 “canônico” usado por Kou et al. (2023) para anotar variantes em humanos modernos, Neandertais e Denisovanos é exatamente o NM_000546.6 (mRNA) / NP_000537.3 (proteína) de Homo sapiens.

  • Neandertais compartilham esse backbone de TP53 com humanos modernos, com algumas variantes germinativas (PVs/BVs) em posições específicas, mas a sequência de referência é a humana.

  • TP53 de chimpanzé (e outros grandes primatas) tem identidade de aminoácidos muito próxima de 100% (diferenças pontuais em poucos resíduos), mas não é idêntico nucleotídio a nucleotídio nem aminoácido a aminoácido ao NM_000546.6/NP_000537.3 humano.

Então:

  • Extrair o TP53 de um chimpanzé não te dá um TP53 “100% igual” ao canônico humano/Neandertal.

  • Em termos funcionais e estruturais, é praticamente o mesmo gene (altíssima conservação), mas em termos de sequência exata, há pequenas diferenças que impedem dizer que é “100% o mesmo alelo”.

quais condições geologicas foram encontrados neandertais contendo dentes
Lite
Vou pesquisar as condições geológicas em que foram encontrados fósseis de Neandertais com dentes preservados, focando nos contextos estratigráficos e ambientais dessas descobertas.

Os estudos de TP53 indicam que o gene em Neandertais é quase idêntico ao humano moderno, enquanto mamutes têm uma sequência mais divergente com múltiplas cópias de TP53. Próximo passo: analisar condições de fósseis de Neandertais com dentes.

Os sítios de Neandertais com dentes estão associados a ambientes cársticos, onde formações de calcita favorecem a sua preservação. O próximo passo é analisar detalhes desses contextos.

A análise do Altamura Man revelou que os dentes de Neandertal podem ser bem preservados em ambientes de calcita, como cavernas com depósitos de loess e sedimentos fluviais, devido a condições químicas favoráveis. Próximo passo é revisar esses fatores em outros sítios.

Os sítios arqueológicos mais importantes em Portugal onde foram encontrados dentes de Neandertais são a Gruta da Oliveira e a Gruta da Figueira Brava. Ambos os locais, situados em contextos geológicos distintos, mas favoráveis à preservação, forneceram evidências cruciais sobre a presença e o comportamento dos Neandertais no Paleolítico Médio na Península Ibérica.

Sítios Arqueológicos e Condições Geológicas em Portugal

A preservação dos dentes de Neandertais nestes sítios é um reflexo direto das condições geológicas locais, que criaram um ambiente químico e físico ideal para a conservação de restos orgânicos ao longo de dezenas de milhares de anos.

1. Gruta da Oliveira (Torres Novas)

A Gruta da Oliveira faz parte do Sistema Cárstico do Almonda, uma rede de cavernas e galerias desenvolvida em rochas calcárias do Jurássico Superior .
Característica Geológica
Descrição e Impacto na Preservação
Contexto Cárstico
A matriz geológica de calcário (carbonato de cálcio) garante um ambiente alcalino (pH elevado) . Este ambiente é fundamental, pois neutraliza a acidez do solo que, de outra forma, dissolveria a hidroxiapatita, o mineral principal dos dentes.
Sedimentação Gravitacional
O enchimento da gruta é composto por sedimentos gravitacionais, incluindo blocos de colapso do teto e paredes, intercalados com sedimentos finos . Este tipo de sedimentação, embora complexa, proporcionou um soterramento rápido dos restos mortais, protegendo os dentes da erosão superficial e da ação de carniceiros.
Estratigrafia
A gruta apresenta uma espessa sequência estratigráfica do Paleolítico Médio (camadas 15 a 27), datada entre o Estágio Isotópico Marinho (MIS) 5 e o MIS 4 . A complexidade estratigráfica, com fenómenos de subsidência e bioturbação, foi mitigada pela cimentação natural dos depósitos, que ajudou a fixar os dentes e a manter a integridade do contexto arqueológico.
Achados Dentários
A gruta forneceu vários dentes isolados de Neandertais (pré-molares e molares) . A análise isotópica do esmalte destes dentes tem sido crucial para reconstruir a mobilidade e a dieta dos Neandertais na região .

2. Gruta da Figueira Brava (Serra da Arrábida)

Localizada na base da falésia da Serra da Arrábida, a Gruta da Figueira Brava é uma gruta de erosão marinha que oferece um registo excecionalmente bem preservado das ocupações de Neandertais .
Característica Geológica
Descrição e Impacto na Preservação
Localização Costeira Protegida
A gruta está situada numa zona protegida da erosão marinha direta, o que permitiu a acumulação de um depósito sedimentar que selou as ocupações do Paleolítico Médio .
Preservação por Sedimentos
O preenchimento sedimentar da gruta, que inclui areias e argilas, atuou como um selo protetor, preservando os restos orgânicos e faunísticos (incluindo dentes de Neandertais) de forma notável.
Contexto Ambiental
O sítio é famoso por documentar a exploração de recursos marinhos (marisco, peixe, mamíferos marinhos) pelos Neandertais . A presença de carbonatos na matriz sedimentar, embora não tão dominante como no sistema cárstico, contribuiu para a estabilidade química necessária à preservação dos dentes.
Achados Dentários
Foram encontrados dentes de Neandertais associados a este contexto de exploração costeira, fornecendo dados sobre a sua dieta e morfologia dentária .

Conclusão

Os dentes de Neandertais em Portugal foram preservados em ambientes de cavernas cársticas (Gruta da Oliveira) e grutas costeiras (Gruta da Figueira Brava). Em ambos os casos, a preservação deve-se a:
  1. Estabilidade Química: O ambiente alcalino proporcionado pelas rochas calcárias, que impede a dissolução do esmalte dentário.
  2. Soterramento Eficaz: A rápida acumulação de sedimentos (gravitacionais ou de preenchimento) que protegeu os dentes da degradação física e biológica.

Referências

[1] Angelucci, D. E., & Zilhão, J. (2010). Gruta da Oliveira is a cave located in the Almonda karstic system in central Portugal. The Palaeolithic archaeology of the Almonda karst system (Portugal): a window into half-a-million years of western Iberian prehistory.

[2] Deschamps, M., & Zilhão, J. (2018). Assessing site formation and assemblage integrity through stone tool refitting at Gruta da Oliveira (Almonda karst system, Torres Novas, Portugal): A Middle Paleolithic case study. PLoS One, 13(2), e0192423.

[3] Zilhão, J., et al. (2021). A revised, Last Interglacial chronology for the Middle Palaeolithic of Gruta da Oliveira (Torres Novas, Portugal). Quaternary International, 577, 1–16.

[4] Zilhão, J., et al. (2006). Middle Paleolithic human remains from the Gruta da Oliveira (Torres Novas, Portugal). American Journal of Physical Anthropology, 130(3), 315–327.

[5] Linscott, B., et al. (2023). Reconstructing Middle and Upper Paleolithic human mobility in the Iberian Peninsula using sequential strontium isotope analysis of tooth enamel. Scientific Reports, 13(1), 8179.

[6] Zilhão, J., et al. (2020). Last Interglacial Iberian Neandertals as fisher-hunter-gatherers. Science, 367(6485), 1443–1449.

[7] Nabais, M., et al. (2023). The evidence from Gruta da Figueira Brava (Portugal). Frontiers in Environmental Archaeology, 1, 1097815.

[8] Antunes, M. T., et al. (1992). Neanderthalian remains from Figueira Brava cave, Portugal. Journal of Human Evolution, 23(5), 417–423.

Locais e Cavernas Cársticas (Fósseis de Megafauna/Dentes)
  1. Região de Lagoa Santa (Minas Gerais): Berço da paleontologia brasileira.
    • Lapa Vermelha: Onde foi encontrado o crânio de “Luzia”, de 11 mil anos.
    • Gruta da Sopradeira: Depósitos contendo ossadas e dentes.
  2. Alto Vale do Ribeira (São Paulo):
    • Abismo Ponta de Flecha (Iporanga): Relevante sítio com fósseis de preguiças-gigantes e outros vertebrados.
    • Caverna do Diabo (Eldorado): Importante sítio espeleológico.
    • Morro Preto (Iporanga): Outra caverna com registros de vida pretérita.
  3. Chapada Diamantina (Bahia):
    • Toca da Boa Vista (Campo Formoso): A maior caverna do Brasil, com registros de megafauna.
    • Toca da Barriguda (Campo Formoso): Próxima à anterior, com alto potencial fossilífero.
    • Gruta do Lago Azul (Bonito/MS – embora o conceito de carste seja mais geral no MS, este é um sítio cárstico notável): Encontrados fósseis de preguiças-gigantes e dentes de dentes-de-sabre.
    • Poço Azul (Nova Redenção – BA): Caverna inundada com registros de fósseis.
  4. Nordeste (Sertão):
    • Toca das Onças (Sergipe): Local de fósseis de mamíferos pré-históricos.
    • Gruna das Três Cobras (Sergipe): Depósitos importantes da megafauna.
    • Lapa dos Peixes: Citada em estudos de depósitos quaternários.
    • Lagoa Uri de Cima (Pernambuco): Sítio arqueológico/paleontológico onde dentes de Toxodon foram datados. 
Onde Fósseis de Dentes Podem Ser Encontrados
Fósseis de dentes (frequentemente mais preservados que ossos) são comumente achados em cavernas cársticas no Brasil nos seguintes contextos: 
  • Depósitos sedimentares próximos a entradas e abismos: A Gruta da Sopradeira e o Abismo Ponta de Flecha são exemplos de cavernas com entradas que funcionaram como “armadilhas” para animais carnívoros e herbívoros.
  • Sedimentos com argila, seixos e matéria orgânica: Locais onde ossos se acumularam por transporte hídrico ou queda.
  • Fissuras e paleotocas: Estruturas escavadas, como as encontradas em Minas Gerais (Serra do Gandarela) e região Sul.
  • Sistemas de cavernas com calcário (Região Intertropical): A maioria dos dentes de preguiças-gigantes, mastodontes e tigres-dentes-de-sabre vêm do intemperismo de calcários do Pleistoceno. 
Nota de Conservação: A coleta de fósseis é crime federal, e os locais mencionados são protegidos por lei. As descobertas devem ser comunicadas à Sociedade Brasileira de Espeleologia (SBE) ou ao Museu Nacional. 

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