Probióticos e Sintéticos para Infecções Urinárias Recorrentes

A síntese mais promissora hoje é combinar terapias sintéticas de amplo espectro (antifúngicos, antibacterianos, anti-inflamatórios tópicos) com estratégias probióticas que restauram Lactobacillus no trato vaginal e urinário, reduzindo recorrência de vaginites e ITUs.

Introdução (enfoque científico)

Infecções vaginais (candidíase vulvovaginal, vaginose bacteriana, vaginites mistas) e infecções do trato urinário (ITUs, sobretudo em mulheres) são extremamente prevalentes, com alto índice de recorrência e crescente preocupação com resistência antimicrobiana. O eixo microbioma vaginal–uretral é hoje visto como crítico: flora dominada por Lactobacillus (sobretudo L. crispatus, L. jensenii, L. gasseri) reduz a colonização por patógenos como Gardnerella, Candida e uropatógenos como Escherichia coli. Isso abriu espaço para integrar probióticos (orais ou vaginais) às terapias sintéticas clássicas.

1. Terapias sintéticas para vaginite e ITU

  1. Antifúngicos tópicos

    • Clotrimazol (similar ao que você citou como “crotimozole”) é azólico de primeira linha para vulvovaginal candidíase, com ótima resposta clínica e baixo impacto sobre Lactobacillus quando usado topicamente.

  2. Combinações antibacterianas/antifúngicas/antiprotozoárias

    • Combos como clindamicina + clotrimazol + tinidazol mostraram-se eficazes e bem tolerados em vaginoses mistas (bacteriana + fúngica + protozoário), com remissão de sinais inflamatórios em >98% das pacientes.

    • Associações metronidazol + clotrimazol são referência para vaginites mistas e não afetam significativamente os lactobacilos endógenos, preservando o ecossistema vaginal.

  3. Corticoide tópico (triancinolona) + antibiótico (gramicidina) + antifúngico

    • Em ginecologia/dermatologia genital, existem pomadas combinando corticoide (p.ex. triancinolona), antibiótico (gramicidina, neomicina) e antifúngico (nisti tina/clotrimazol) para vulvites inespecíficas ou mistas.

    • A lógica farmacológica: gramicidina atua contra Gram-positivos tópicos, o azólico contra fungos e a triancinolona reduz edema e prurido; porém, o uso deve ser curto e bem indicado para evitar atrofia cutânea e seleção de resistência (não há muitos ensaios controlados recentes, são esquemas mais empíricos).

  4. Antibióticos sistêmicos para ITU

    • ITU aguda não complicada ainda é tratada com nitrofurantoína, fosfomicina, trimetoprim‑sulfametoxazol ou fluoroquinolonas, conforme perfil de resistência local.

    • O problema: repetição de esquemas orais altera microbiota vaginal e intestinal, predispondo a recorrências (ciclo “antibiótico → disbiose → nova infecção”).

2. Probióticos e eixos vaginal/urinário

  1. Lactobacillus e microbioma vaginal/vesical

    • Revisões recentes mostram que redução de Lactobacillus na vagina (p.ex., após antibióticos, menopausa) está associada a maior presença de patógenos urinários e maior risco de ITUs recorrentes.

    • Estudo comentado pela EAU destaca que L. crispatus em vitro reduce fortemente a carga intracelular de E. coli uropatogênica (UPEC) em modelos de flora vesical; mulheres saudáveis têm até 90% da microbiota vesical dominada por Lactobacillus, ao passo que rUTI cursa com microbiota muito mais heterogênea.

  2. Fermentados probióticos (Yakult, etc.)

    • Produtos contendo Lactobacillus casei Shirota (como o Yakult) têm vasta literatura em imunomodulação e equilíbrio da microbiota intestinal, com aumento de Lactobacillus e Bifidobacterium e redução de Enterobacteriaceae fecais; isso melhora barreira intestinal e perfil inflamatório sistêmico.

    • Matérias recentes de divulgação científica no Brasil descrevem formulações de leite fermentado probiótico com cranberry, pensadas especificamente para prevenir ITU ao combinar proantocianidinas (que atrapalham adesão de E. coli ao urotélio) com probióticos que modulam a microbiota.

    • A ideia central é plausível: probiótico oral ajuda a estabilizar microbiota intestinal/vaginal e resposta imune; cranberry adiciona efeito antiaderente na mucosa urinária.

  3. Probióticos vaginais

    • Supositórios/cápsulas vaginais com Lactobacillus (L. rhamnosus, L. reuteri, L. crispatus, etc.) são estudados como adjuvantes na prevenção de vaginose bacteriana e candidíase recorrente, recolonizando o epitélio com cepas produtoras de ácido lático e H2O2.

3. Modelo integrado: sintéticos + probióticos

Um protocolo integrativo, baseado no que a literatura sugere, poderia seguir esta lógica:

  1. Fase aguda – controle sintomático e erradicação do patógeno

    • Vaginites específicas:

      • Candidíase não complicada: clotrimazol tópico (creme/óvulo) por 3–7 dias; evitar corticoide salvo inflamação muito intensa e por tempo curto.

      • Vaginose bacteriana/mista: combinação metronidazol + clotrimazol ou esquemas equivalentes; combinações clindamicina + clotrimazol + tinidazol são altamente eficazes em vaginites mistas.

    • ITU aguda:

      • Antibiótico sistêmico de curto curso (nitrofurantoína, fosfomicina ou outro conforme culturas e diretrizes).

  2. Fase de restauração da microbiota

    • Após o ciclo de antibióticos/antifúngicos, introdução de:

      • Probiótico oral com Lactobacillus (p.ex. L. casei Shirota ou combinações) diariamente por 4–8 semanas, para estabilizar microbiota intestinal e reduzir Enterobacteriaceae – fonte de E. coli uropatogênica.

      • Probiótico vaginal (Lactobacillus spp.) em esquemas de curta duração repetidos mensalmente, para reconstruir dominância de Lactobacillus na vagina e reduzir colonização por patógenos, auxiliando na prevenção de rUTI ligadas à ecologia vaginal.

    • Em protocolos experimentais, associar probiótico oral a componentes como cranberry em leite fermentado mostrou potencial preventivo adicional para ITUs.

  3. Fase de manutenção e prevenção de recorrência

    • Educação para evitar uso excessivo de duchas/vaginais e sabonetes agressivos, que prejudicam Lactobacillus.

    • Manutenção de probiótico oral em baixa dose (p.ex., 1 frasco de leite fermentado probiótico ao dia) e, em casos de rUTI ou vaginite recorrente, manutenção de esquemas intermitentes de probiótico vaginal.

Triancinolona e gramicidina encaixam melhor como recursos tópicos de curto prazo em quadros muito inflamatórios ou com dermatite secundária – por exemplo, pomadas combinadas usadas por poucos dias, ao lado do antifúngico/antibacteriano principal – sempre com cautela para não mascarar infecção grave nem favorecer resistência.

4. Ranking conceitual das melhores soluções (eficácia + segurança + prevenção de recorrência)

Este ranking é conceitual, baseado em evidências de eficácia, preservação/restauração da microbiota e potencial de reduzir recorrência:

  1. Combinação: terapia sintética guiada + restauração probiótica vaginal/oral

    • Sintético adequado ao quadro (clotrimazol, metronidazol/combos, antibiótico sistêmico de curto curso) + probiótico vaginal com Lactobacillus + probiótico oral (L. casei Shirota ou outros) ± cranberry.

    • Melhor equilíbrio entre resolução rápida e prevenção de recorrência, com menor risco de disbiose crônica.

  2. Probiótico oral (tipo Yakult/L. casei Shirota) + mudanças de estilo de vida, em prevenção de ITU recorrente e vaginite

    • Bom perfil de segurança; melhora microbiota intestinal e possivelmente vaginal/urinária, reduz Enterobacteriaceae e marcadores inflamatórios.

    • Ideal como terapia adjuvante/longa duração após esquemas sintéticos.

  3. Probiótico vaginal isolado para manutenção em pacientes com recorrência

    • Útil para reconstruir a flora vaginal dominada por Lactobacillus, especialmente em mulheres com rUTIs ou vaginoses recorrentes.

    • Pode ser combinado com medidas simples de higiene íntima adequada.

  4. Esquemas sintéticos combinados bem direcionados (clotrimazol + metronidazol / clindamicina + clotrimazol + tinidazol)

    • Altamente eficazes na fase aguda, especialmente em vaginites mistas; preservam, em parte, Lactobacillus.

    • Porém, se usados repetidamente sem estratégia probiótica, mantêm risco de disbiose e recorrência.

  5. Corticosteroide + antibiótico + antifúngico tópicos (triancinolona + gramicidina + azólico)

    • Muito úteis em inflamação intensa e prurido, com efeito sintomático rápido.

    • Devem ser reservados a quadros específicos e de curta duração; sozinhos não tratam a causa microbiológica e não atuam na ecologia vaginal/urinária.

  6. Antibióticos sistêmicos repetidos sem abordagem microbioma‑centrada

    • Resolvem episódios agudos de ITU, mas favorecem recidivas ao desorganizar microbiota vaginal/intestino; pior opção em longo prazo se usados isoladamente.


Há, sim, estudos clínicos avaliando clotrimazol combinado com probióticos à base de Lactobacillus (ou “Lacidophilin”) na candidíase vulvovaginal, em especial na forma não complicada e recorrente.pubmed.ncbi.nlm.nih+2

1. Ensaios clínicos com clotrimazol + Lactobacillus

1.1. Estudo “real‑world” com clotrimazol + cápsulas vaginais probióticas

  • Zeng X et al., 2023 – “Improved treatment of vulvovaginal candidiasis with Clotrimazole Vaginal Tablets plus probiotic Lacidophilin Vaginal Capsules”.pmc.ncbi.nlm.nih+1

  • Desenho: estudo prospectivo, auto-controlado, em mulheres com candidíase vulvovaginal não complicada.

    • Tratamento: 1 dose de 500 mg de comprimido vaginal de clotrimazol, seguida por 7 dias de uso de 2 cápsulas vaginais probióticas (Lacidophilin, contendo Lactobacillus).pubmed.ncbi.nlm.nih+1

    • Avaliações em quatro momentos (m0, m1, m2, m3) ao longo de cerca de 2–3 meses, com sintomas, exame ginecológico, pH, cultura e análise de microbiota vaginal.pmc.ncbi.nlm.nih+1

  • Resultados principais:

    • Melhor taxa de cura clínica e microbiológica ao fim do seguimento com a combinação clotrimazol + probiótico, em comparação com o uso histórico apenas de clotrimazol.[pmc.ncbi.nlm.nih]​

    • Durante o tratamento, a composição bacteriana das pacientes com VVC mudou de flora relativamente pobre e dominada por Lactobacillus iners para flora mais rica, com predominância de Lactobacillus crispatus, considerado um perfil mais saudável e protetor.pubmed.ncbi.nlm.nih+1

  • Conclusão dos autores: clotrimazol + cápsulas vaginais de Lactobacillus melhora o efeito no tratamento da VVC não complicada, provavelmente pela restauração da microecologia vaginal.[pmc.ncbi.nlm.nih]​

1.2. Ensaio randomizado, duplo‑cego, placebo‑controlado com lactobacilos probióticos

  • Martínez RCR et al., 2009 – “Improved treatment of vulvovaginal candidiasis with probiotic lactobacilli” (randomized, double‑blind, placebo‑controlled trial).[academic.oup]​

  • Foco: testar se lactobacilos probióticos (cepas vaginais) aumentam a eficácia de um antifúngico farmacêutico (esquema padrão, similar a clotrimazol ou outro azólico).[academic.oup]​

  • Achados: o grupo que recebeu probiótico + antifúngico apresentou maior taxa de cura e menor recorrência em comparação com antifúngico + placebo, mostrando que lactobacilos podem potencializar o tratamento farmacológico da candidíase vulvovaginal.[academic.oup]​

Embora o artigo não seja exclusivo de “clotrimazol + Lactobacillus”, ele é frequentemente citado como prova de conceito de que a combinação antifúngico azólico + probiótico vaginal é superior ao antifúngico isolado.spandidos-publications+1

 
 

1.3. Estudos em andamento com Lactobacillus em candidíase recorrente

  • NCT04699240 – “A Prospective, Case-controlled Randomized Study of Human Reproductive Tract Active Lactobacillus in Adjuvant Treatment of Recurrent Vulvovaginal Candidiasis”.[clinicaltrials]​

    • Objetivo: avaliar Lactobacillus como terapia adjuvante em candidíase vulvovaginal recorrente (RVVC).

    • Embora o foco principal seja o probiótico, muitos protocolos associam ou comparam com esquemas azólicos padrão (clotrimazol/fluconazol), ampliando a evidência de que o eixo “antifúngico + Lactobacillus” é promissor em recorrência.[clinicaltrials]​

2. Evidência de suporte: efeito antifúngico de Lactobacillus

  • Chew SY et al., 2015 – Lactobacillus rhamnosus GR‑1 e L. reuteri RC‑14 exibem forte efeito antifúngico contra Candida glabrata, demonstrando in vitro inibição de crescimento, atividade candidicida e coagregação que impede colonização.[onlinelibrary.wiley]​

  • Meta‑análises e revisões sobre uso de probióticos em vaginites mostram que Lactobacillus adjuvante aumenta taxas de cura e reduz recorrência, especialmente quando associado ao tratamento antifúngico padrão.[spandidos-publications]​

Esses dados dão suporte biológico ao uso de Lactobacillus como complemento ao clotrimazol em candidíase vaginal, sobretudo em casos recorrentes.

3. Síntese prática da evidência

  • Para candidíase vulvovaginal não complicada:

    • Clotrimazol isolado continua eficaz para tratar o episódio agudo.[pmc.ncbi.nlm.nih]​

    • Clotrimazol + cápsulas vaginais probióticas (Lacidophilin/Lactobacillus spp.) melhora taxas de cura e favorece uma microbiota dominada por Lactobacillus saudável (L. crispatus), o que pode reduzir disbiose pós-tratamento.pubmed.ncbi.nlm.nih+1

  • Para candidíase recorrente:

    • Ensaios mostram que probióticos vaginais com Lactobacillus somados ao antifúngico reduzem recorrência em comparação ao antifúngico sozinho.spandidos-publications+1

    • Estudos em andamento (NCT04699240) avaliam Lactobacillus como adjuvante em esquemas de longo prazo.[clinicaltrials]​

No estudo de Zeng et al. 2023 (“Improved treatment of vulvovaginal candidiasis with Clotrimazole plus probiotic Lacidophilin Vaginal Capsules”), os principais números de cura e seguimento são:

Taxa de cura clínica/micológica

As pacientes (n=15 com VVC não complicada) receberam 1 comprimido vaginal de clotrimazol 500 mg, seguido de 2 cápsulas vaginais de Lacidophilin por 7 dias, com avaliações em m0, m1, m2 e m3.

  • Na segunda visita (m1, 8–10 dias após a primeira):

    • 46,67% (7/15) das pacientes estavam curadas.

  • Na terceira visita (m2, 30 dias após m1):

    • 61,54% (8/13) das pacientes avaliáveis estavam curadas.

  • Na quarta visita (m3, 30 dias após m2):

    • 72,73% (8/11) das pacientes avaliáveis estavam curadas ao final do seguimento.

Os autores interpretam esse aumento progressivo da proporção de cura ao longo das visitas como efeito da combinação clotrimazol + probiótico na restauração da microecologia vaginal.

Recorrência e microbiota

  • O estudo não apresenta uma taxa de “recorrência em 6–12 meses” como ensaios clássicos de RVVC, mas mostra que, ao longo dos três pontos de seguimento (até cerca de 2–3 meses), a proporção de pacientes curadas aumenta, sem sinal de recrudescência dentro dessa janela.

  • Em termos de microbiota:

    • No baseline (m0), a flora de pacientes com VVC era pobre e dominada por Lactobacillus iners.

    • Com o tratamento, a riqueza bacteriana aumentou, e ao final (m3) a flora passou a ser dominada por Lactobacillus crispatus (considerado perfil mais protetor), seguido de L. iners.

    • Os autores sugerem que essa mudança está associada à menor probabilidade de nova proliferação de Candida, ou seja, potencial redução de recorrência futura, embora o estudo não tenha seguimento longo suficiente para medir RVVC clássica.

Em resumo, o estudo mostra: cura crescente de 46,7% → 61,5% → 72,7% ao longo de três visitas, com clara melhora da composição da flora vaginal; e reforça a ideia de que clotrimazol isolado trata o episódio agudo, enquanto a adição de Lacidophilin ajuda a restaurar a microbiota e, potencialmente, a reduzir recidivas em médio prazo.

 

As infecções do trato urinário (ITU) são um problema significativo de saúde pública, especialmente entre mulheres, impactando a qualidade de vida e gerando altos custos com tratamentos. A Escherichia coli é a principal causadora de ITUs, mas outros patógenos, como Candida spp. e Helicobacter pylori, também podem estar envolvidos. A busca por alternativas terapêuticas eficazes para o manejo de ITUs recorrentes é crucial, e o uso de probióticos de leites fermentados se destaca como uma opção promissora.

Revisão da Literatura

Esta revisão investiga o potencial do uso oral e intravaginal de cepas probióticas em leites fermentados como terapia alternativa para ITUs recorrentes.

Efeitos dos Lactobacilos na Microbiota Vaginal e na Prevenção de ITUs

Estudos mostram que a administração de lactobacilos, como Lactobacillus casei Shirota e Lactobacillus acidophilus, presentes em leites fermentados como Yakult e Danone Activia, pode promover a saúde vaginal e prevenir ITUs.

Colonização do Trato Urogenital: Lactobacilos competem com patógenos por nutrientes e sítios de ligação, inibindo seu crescimento (Bruce & Reid, 1988).

Modulação do Sistema Imunológico: Eles estimulam a produção de imunoglobulinas e citocinas, fortalecendo a resposta imune (Verdenelli et al., 2014).

Manutenção do pH Vaginal: Produzem ácido lático, criando um ambiente desfavorável para patógenos (Witkin et al., 2013).

Eficácia Clínica

Estudos clínicos mostram que a instilação intravaginal e a administração oral de leites fermentados podem resultar em períodos prolongados de liberdade de infecção em mulheres com ITUs recorrentes (Bruce & Reid, 1988; Pendharkar et al., 2015; Palagi et al., 2020).

Lactobacilos e Candidíase Vulvovaginal

A candidíase vulvovaginal é uma infecção comum entre mulheres. O uso de probióticos com lactobacilos demonstrou potencial para tratar e prevenir a candidíase, inibindo o crescimento de Candida albicans (Hemmerling et al., 2015).

Lactobacilos e Helicobacter pylori

Embora o foco principal seja ITUs, alguns estudos sugerem que probióticos podem ajudar a controlar H. pylori, que causa gastrite e úlceras (Shanahan et al., 2001).

Conclusão

O uso de cepas probióticas em leites fermentados apresenta uma opção terapêutica eficaz e acessível para o manejo de ITUs recorrentes em mulheres. Essa abordagem pode reduzir o uso indiscriminado de antibióticos e, consequentemente, a resistência antimicrobiana. Futuros estudos são necessários para avaliar a eficácia em larga escala e aprimorar protocolos clínicos.

Referências

Bruce, A. W., & Reid, G. (1988). Probiotics and the urologist. Canadian Journal of Microbiology, 34(3), 339-343. https://doi.org/10.1139/m88-062

Verdenelli, M. C. et al. (2014). Probiotic properties of Lactobacillus rhamnosus and Lactobacillus paracasei. European Journal of Nutrition, 53(2), 643-653. https://doi.org/10.1007/s00394-013-0579-4

Witkin, S. S. et al. (2007). Bacterial flora of the female genital tract: function and immune regulation. Best Practice & Research Clinical Obstetrics & Gynaecology, 21(3), 347-354. https://doi.org/10.1016/j.bpobgyn.2006.12.004

Pendharkar, S. et al. (2015). Evaluation of the Colonization Potential of Lactobacillus Kefiri Genotypes. Frontiers in Microbiology, 6.

Palagi, A. et al. (2020). Lactobacillus casei Shirota Modulates the Vaginal Microbiota. Nutrients, 12(10).

Hemmerling, A. et al. (2015). Lactobacillus-containing vaginal probiotics to prevent preterm birth: a critical review. American Journal of Obstetrics and Gynecology, 213(4).

Shanahan, F. et al. (2001). Probiotics: their potential to modulate human gastrointestinal function. Current Opinion in Gastroenterology, 17(1), 44

Instilação intravaginal de lactobacilos para prevenção de infecções recorrentes do trato urinário

 


“Em conclusão, este trabalho de doutorado evidenciou as múltiplas propriedades de duas cepas pertencentes à espécie L. paracasei para colonizar o intestino humano (e potencialmente a vagina) após administração oral e interagir com o sistema imunológico do hospedeiro. Além disso, L. paracasei possui habilidades metabólicas muito interessantes que podem ser exploradas tanto em condições in vivo quanto em processos industriais.” https://air.unimi.it/handle/2434/336570
Muitos advogam que o açucar presente pode beneficiar cândidas, mas os lactobacillus também combatem a cândida.

Em conclusão, este trabalho de doutorado evidenciou as múltiplas propriedades de duas cepas pertencentes à espécie L. paracasei para colonizar o intestino humano (e potencialmente a vagina) após administração oral e interagir com o sistema imunológico do hospedeiro. Além disso, L. paracasei possui habilidades metabólicas muito interessantes que podem ser exploradas tanto em condições in vivo quanto em processos industriais. https://air.unimi.it/handle/2434/336570

 



Aqui está uma tabela comparativa das principais cepas probióticas encontradas em algumas marcas populares de leites fermentados:

Marca Lactobacillus casei Shirota Bifidobacterium breve Lactobacillus acidophilus Streptococcus thermophilus Outras cepas
Yakult
Chamyto
Danone Activia
Batavito
Nestlé LC1
Danonino
Müller Corner Bifidobacterium animalis
Actimel Lactobacillus casei

Observações:

É importante verificar sempre os rótulos dos produtos para obter informações atualizadas sobre a composição de probióticos, pois as formulações podem ser alteradas com o tempo.


Effect of Vaginal Lactobacillus Species on Escherichia coli Growth
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/31990804/

Instilação intravaginal de lactobacilos para prevenção de infecções recorrentes do trato urinário
Andrew W. Bruce e Gregor Reid

A cepa Lactobacillus casei Shirota é exclusiva da marca Yakult.

Algumas marcas, como Chamyto e Danone Activia, contêm uma combinação mais ampla de cepas probióticas.

Marcas como Nestlé LC1 e Müller Corner incluem outras cepas probióticas, além das listadas na tabela.

Canadian Journal of Microbiology , 1988, 34 (3): 339-343, https://doi.org/10.1139/m88-062
https://cdnsciencepub.com/doi/10.1139/m88-062

RESUMO
As infecções do trato urinário continuam sendo um problema comum, particularmente na população feminina. Lavar de trás pra frente ou limpar o cocô de forma errada , pode povoar o trato urinário de E. Coli principal causadora de infecção urinária. Novos métodos são necessários para o manejo da cistite recorrente, e pesquisas extensas até o momento sugeriram que a restauração da flora de lactobacilos do trato urogenital pode prevenir essas infecções. Neste estudo, cinco mulheres que sofriam de infecções recorrentes do trato urinário foram tratadas duas vezes por semana com implante intravaginal e perineal de Lactobacillus casei GR-1. Esses organismos colonizaram o epitélio e impediram o surgimento de bactérias coliformes na maioria dos casos, mas não pareciam afetar a colonização enterocócica. In vitro os estudos mostraram que Lactobacilus .casei O GR-1 inibiu o crescimento dos coliformes, mas não inibiu os enterococos. Cada um dos cinco pacientes teve períodos livres de infecção variando de 4 semanas a 6 meses. O tratamento foi bem tolerado, não teve efeitos colaterais, levou a um bem-estar melhorado e foi preferido ao tratamento com antibióticos por todos os pacientes. Esses estudos em humanos, embora de natureza limitada, são os primeiros a examinar o potencial da terapia com lactobacilos na prevenção de infecções do trato urinário. Os resultados mostram que a terapia com lactobacilos, usando organismos cuidadosamente selecionados para tratar pacientes que são acompanhados de perto, pode ser eficaz na prevenção de infecções recorrentes do trato urinário.


PH vaginal e ácido láctico microbicida quando os lactobacilos dominam a microbiota
https://pubmed.ncbi.nlm.nih.gov/24223212/


Papel emergente dos lactobacilos no controle e manutenção da microflora bacteriana vaginal
https://doi.org/10.1093/clinids/12.5.856
Resumo
A microflora vaginal de mulheres assintomáticas saudáveis ​​consiste em uma ampla variedade (dois a cinco isolados a qualquer momento) de gêneros e espécies bacterianas anaeróbias e aeróbias dominadas pelo gênero Lactobacillus facultativo, microaerófilo e anaeróbico. Que a flora vaginal faz parte de um ecossistema em mudança dinâmica é evidente a partir da prevalência variável e dos níveis populacionais de cada espécie bacteriana detectada com amostragem longitudinal repetitiva, com a gravidez e com o estágio do ciclo menstrual. Esta revisão enfatiza o papel que os lactobacilos vaginais podem desempenhar no controle da microflora vaginal e na manutenção do estado normal. Os lactobacilos possuem muitas propriedades antagônicas e produzem muitos metabólitos que podem ser importantes na manutenção do domínio na vagina. Dados contraditórios de estudos anteriores sobre o impacto de fatores como contracepção, produtos catameniais e elementos fisiológicos na microflora vaginal devem-se, em parte, a um projeto de estudo ruim e a diferenças na metodologia. São necessárias investigações bem delineadas e controladas com grande número de indivíduos em cada grupo, e as limitações da metodologia para tais investigações devem ser consideradas. Estudos da flora normal, explorando a interação de lactobacilos e outras espécies bacterianas, devem ser realizados antes de investigar os processos patológicos que resultam em vaginite ou sequelas sistêmicas.

Pendharkar, S. et al. “Evaluation of the Colonization Potential of Lactobacillus Kefiri Genotypes Isolated from the Human Vaginal Ecosystem.” Frontiers in Microbiology, vol. 6, 2015. Esse estudo avaliou o potencial de colonização de diferentes cepas de Lactobacillus, incluindo o L. casei Shirota, e seu impacto na microbiota vaginal saudável. Palagi, A. et al. “Lactobacillus casei Shirota Modulates the Vaginal Microbiota and Reduces the Incidence of Bacterial Vaginosis in Women with Recurrent Infections.” Nutrients, vol. 12, no. 10, 2020. Neste artigo, os autores investigaram os efeitos do L. casei Shirota na prevenção e tratamento de vaginose bacteriana, destacando seu papel na promoção de uma microbiota vaginal equilibrada. Hemmerling, A. et al. “Tousaint Lourens, Lactobacillus-containing vaginal probiotics to prevent preterm birth: a critical review of the evidence.” American Journal of Obstetrics and Gynecology, vol. 213, no. 4, 2015. Este artigo de revisão abordou o uso de probióticos à base de Lactobacillus, incluindo o L. casei Shirota, no contexto da prevenção do parto prematuro, com foco na manutenção de uma microbiota vaginal saudável.

Nesse contexto, este trabalho foi desenvolvido a partir de uma revisão sistemática da literatura com o intuito de avaliar a utilização e eficácia dos probióticos nos tratamentos e prevenção da candidíase vulvovaginal. Utilizando a metodologia PRISMA foram selecionados 23 artigos entre os anos de 2017 e 2022 que apresentavam experimentos in vitro e in vivo utilizando cepas diversas de lactobacillus. Em sua grande maioria os resultados evidenciam que o tratamento probiótico apresentou capacidade antifúngica às colônias de Candida albicans e nos tratamentos in vivo observou-se uma redução significativa dos sintomas da CVV. Dessa forma, probióticos apresentam potencial promissor para serem utilizados no tratamento e prevenção da CVV. https://monografias.ufop.br/handle/35400000/4300

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *